• José Góis

O seu telemóvel não é seu, exceto na Alemanha

Quem é o dono do seu dispositivo? Com as novas tecnologias surgem novos desafios e oportunidades. Hoje, quando alguém precisa de um novo cartão de pagamento, encomenda-o a um fornecedor escolhido.

Mas, o que acontece quando um cartão já não é um cartão?



As aplicações de pagamentos móveis estão a crescer em popularidade, estimando-se já em cerca de 1,5 mil milhões de utilizadores em todo o mundo(combinando Alipay, WeChat pay, Venmo, Zelle, Vipps, Swish, Mobilepay e um grupo das versões da Europa Central).


As aplicações de pagamento alternativas, como AliPay, WeChat Pay, Venmo, Zelle, Swish e Settle fazem com que, possivelmente, as formas de pagamento se tornem mais rápidas, mais baratas e flexíveis, quando comparadas com as funcionalidades que os cartões de pagamento oferecem. Esta flexibilidade, permitindo que os clientes enviem dinheiro para uma empresa, ou paguem através de QR Code, tem-se revelado extremamente importante na adoção de uma das tendências de pagamento que mais crescem a nível global.

Mas poder pagar na loja com o seu telemóvel não tem sido uma forma de impulsionar a popularidade destas aplicações de pagamento alternativas, mas com a nova lei aprovada recentemente na Alemanha, tudo poderá ficar diferente.

A nova legislação alemã permite o acesso de terceiros à antena NFC do iPhone e é aplicável desde janeiro de 2020.


Que impacto poderá ter para si a nova lei aprovada na Alemanha?


A tecnologia NFC (Near Field Communication) permite que o seu cartão ou telefone comunique com o terminal de pagamento simplesmente mantendo as duas unidades juntas Esta tecnologia já é antiga, tendo sido patenteada pela primeira vez em 1983, mas só recentemente começou a ganhar uma maior utilização. Este aumento de utilização deve-se principalmente aos cartões de pagamento equipados com um chip. Isto permite que as pessoas "toquem" com o seu cartão no terminal de pagamento, em vez de terem de inserir o cartão na máquina.


Bom, mas o que acontece quando a forma de pagamento deixa de ser um cartão e, em vez disso, é simplesmente um cartão virtual com a informação armazenada dentro de um pedaço de código, executada num chip, dentro de um telefone?




Se esse telefone é um iPhone, até há pouco tempo o chip estava bloqueado pela Apple, como se fosse dona do chip, dentro do telemóvel pago pelo cliente. A lógica para este bloqueio deve-se à Apple ter decidido entrar nos serviços financeiros. A Apple criou a sua própria carteira e forneceu um cartão de crédito, juntamente com outros serviços financeiros, como o envio de dinheiro com o iMessage. Perante isto, a Apple não está tão interessada que outras empresas utilizem "o seu chip" para fornecer serviços nos telefones dos seus clientes. Então, bloquearam esta capacidade.


Mas na Alemanha, em novembro do ano passado, o parlamento alemão votou favoravelmente o acesso dos serviços de pagamento rivais ao chip NFC do iPhone. Desta forma o parlamento alemão acabou por tornar-se famoso na indústria de pagamentos, ao aprovar a lei que desbloqueia o chip do iPhone do cerco monopolista da Apple.



O que a lei significa é que a Apple já não está autorizada a bloquear o chip e tem de expor o acesso à antena NFC para outras companhias utilizarem, incluindo o uso para fins de pagamento por sistemas de pagamento não controlados pela Apple.


Até recentemente, a única forma de colocar um cartão num iPhone era emitir um cartão padrão (seguindo os padrões EMV e outros padrões de pagamento da Apple) e ser certificado e aceite pela Apple. O cartão seria então autorizado a ser instalado no iPhone e os clientes poderiam apresentar o seu telemóvel (ou relógio) a um terminal de pagamento, para pagar. Este conceito é conhecido como ApplePay.


Desde janeiro de 2020, por enquanto só na Alemanha, qualquer pessoa pode utilizar as capacidades NFC do iPhone para fazer pagamentos com os serviços de outros fornecedores de meios de pagamento. Esta alteração não só desafia o regime de taxas Apple Pay para a Apple, como também desafia o uso dos circuitos e padrões EMV.


Esta alteração nas restrição de utilização da antena NFC do iPhone, poderá gerar uma mudança massiva nas formas de pagamento, fazendo com que muitos dos pagamentos que hoje em dia são realizados através de um cartão, ou mesmo usando uma transação Apple Pay NFC, sejam substituídos por aplicações de pagamento alternativas.


Estas aplicações também poderão usar as capacidades NFC para criar uma experiência inspirada no Apple Pay. Mas correrão completamente fora das mãos da Apple e até mesmo fora dos esquemas de pagamento dos cartões como o Visa ou o Mastercard.



Para a maioria de nós, isto significa pouco ou nada no nosso dia-a-dia. Mas para a indústria de pagamentos, uma mudança como esta significa que milhares de milhões de dólares em volume de pagamentos e centenas de milhões em receitas geradas pelas transações serão transferidas de algumas empresas "monopolistas" para um leque mais alargado de atores, incluindo os recém-chegados. Será mais um exemplo da disrupção que a Transformação Digital provoca em mais um sector da sociedade.


Tudo isto decorre de uma pequena e quase despercebida alteração da lei na Alemanha, onde o chip dentro de um telefone foi libertado do que até agora era um bloqueio ilegal, para se tornar de novo propriedade do proprietário do dispositivo, ou seja, você.


Fonte: Forbes


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