• José Góis

Poderá a tokenização dos dados de saúde revolucionar o futuro da indústria?

De acordo com os dados da PWC, em 2020 o mercado de saúde on-line deverá valer 61 mil milhões de dólares em todo o mundo. Um outro relatório da Transparency Market Research sugere que até 2025, o mercado global de saúde digital atingirá os 537 mil milhões de dólares.



Já todos sabemos que para a transformação digital os dados são valiosíssimos.


No entanto, apesar de ser uma grande oportunidade para a indústria, as pessoas precisam ganhar confiança na partilha dos seus dados de saúde, em particular os dados de saúde.

É nesse sentido que a Fundação HIT, com sede na Suíça, está a explorar a tokenização dos dados de saúde, considerando que o uso da blockchain pode ajudar a transformar a indústria dos dados de saúde.

À medida que os custos dos cuidados de saúde aumentam, a abordagem tradicional por parte dos governos já não é sustentável, resultando em reduções e limitações nos orçamentos para os prestadores de cuidados de saúde, tendo estes também dificuldades em controlar os custos operacionais crescentes.

Para a HIT Foundation, uma mudança de abordagem é fundamental, permitindo à população, através da capacitação não só dos doentes mas também os indivíduos saudáveis, gerir proativamente a sua saúde e os seus dados.

No livro branco da Fundação HIT, esta fundação afirma oferecer um mercado que permite aos indivíduos digitalizar, rentabilizar e rastrearem os seus dados de saúde.


Para tal, a plataforma tem como objetivo resolver três questões fundamentais nas regras do jogo atuais:

  • a monopolização dos dados de saúde que conduzem a silos e ineficiências;

  • a falta de incentivos para que os indivíduos gravem, digitalizem e atualizem os seus dados de saúde;

  • a privacidade dos dados.

Através da utilização da plataforma Centiva Health da Fundação HIT, um indivíduo pode conceder acesso aos seus dados e rentabiliza-los através da tecnologia blockchain, enquanto um contrato inteligente determinará como os dados podem e devem ser usados por hospitais, instituições de investigação ou decisores políticos.


Para os 3,6 mil milhões de pessoas que não têm acesso aos serviços de saúde, a tokenização dos dados de saúde também poderão ajudar na melhoria do rendimento básico universal, através de pagamentos feitos aos cidadãos pelo acesso e utilização dos seus dados de saúde.

Na Fundação HIT acreditam que a tokenização dos dados de saúde tem um grande potencial, democratizando a sua propriedade e facilitando o acesso e transferência dos dados de saúde.

Desta forma, cada indivíduo pode determinar com quem quer partilhar os seus dados de saúde, em que medida e como quer que sejam partilhados e utilizados. Obtém-se assim uma maior transparência sobre quem está a pedir os dados e com que finalidade. No final, pode tomar a decisão de consentir ou não.

A recolha de dados médicos tornou-se uma indústria multimilionária, impulsionada por indivíduos. Um inquérito concluiu que 54% dos alemães estariam dispostos a apresentar os seus dados eletrónicos de saúde se recebessem benefícios do seu seguro de saúde.



Em França, 99% dos inquiridos indicaram que entregariam os seus dados pessoais se recebessem recompensas monetárias em troca. No entanto, um estudo mais aprofundado mostrou que 79% dos alemães queriam ter o poder de decidir quem visualizava os seus dados de saúde.

Tendo em conta que a blockchain no mercado da saúde deverá estar avaliada em 5,6 mil milhões de dólares até 2025, face a um valor de 176,8 milhões de dólares em 2018, a tecnologia poderá em breve ver a adoção mais rápida pelos principais agentes do setor.

Serviços de monitorização de cuidados domiciliários

A tokenização dos dados de saúde já está a ser explorada por muitos profissionais de saúde e investigadores em todo o mundo.

Por exemplo no caso da Affinity Home Care, que presta serviços de assistência domiciliária não médica e sistemas pessoais de monitorização de emergência, a tokenização dos dados de saúde também pode ajudar monitorizar a saúde dos idosos e ajudar a melhorar os resultados obtidos.

Os incentivos à tokenização poderão motivar os idosos a digitalizar os seus dados de saúde, permitindo desenvolver novos serviços preventivos dos quais poderão usufruir posteriormente, inclusivamente sendo elegíveis para serviços gratuitos oferecidos pelas instituições da rede digital de saúde.

Atualmente, a Affinity Home Care presta serviços pessoais de monitorização de emergência através dos dispositivos Internet of Things (IoT) aos seus clientes. Este tipo de tecnologia permitirá integrar os dados em plataformas de saúde digital baseada em blockchain como a desenvolvida pela Hit Foundation.

Em resumo

A integração de tecnologias como a Internet of Things (IoT) e a Blockchain, poderá não só ajudar a prestar serviços de maior qualidade e mais centrados na prevenção, como também aumentar o acesso da população a cuidados de saúde, com custos de acesso mais reduzidos.


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